Polícia desarticula quadrilha de golpes digitais internacionais: 8 presos, dois Porsches e iPhones apreendidos
Grupo anunciava produtos com descontos absurdos no Facebook e TikTok que nunca chegavam às vítimas. Adolescentes faturavam entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por dia. Autoridades buscam informações sobre @gbzada, Adelvan Oliveira, Dr. Money e Dollarisbest.
Uma operação conjunta deflagrada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Civil e forças de segurança de três estados resultou na prisão de cerca de oito integrantes de uma quadrilha especializada em golpes digitais de alcance internacional. O grupo anunciava produtos eletrônicos, itens de moda e eletrônicos de alto valor com descontos “imperdíveis” em páginas e perfis do Facebook e do TikTok. As vítimas pagavam via Pix ou cartão e nunca recebiam a mercadoria.
Segundo a investigação, a organização atuava de forma estruturada e tinha células em Balneário Camboriú (SC), Curitiba (PR) e Aracaju (SE). As ações de busca e apreensão ocorreram simultaneamente nas três cidades na manhã desta quinta-feira. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Entre os presos estão dois jovens de 16 anos e um adolescente de 17 anos. De acordo com a polícia, os adolescentes tinham participação ativa na criação e administração dos anúncios fraudulentos e no atendimento inicial das vítimas pelas redes sociais. Investigadores afirmam que cada um deles faturava entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por dia com os golpes. Por serem menores de idade, eles serão processados de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e respondem por atos infracionais análogos a estelionato e associação criminosa.
O que a polícia apreendeu
- 2 (dois) veículos Porsche 911 – um na cor branca e outro na cor azul-escuro
- 2 (dois) iPhone 18 Pro Max (ainda em embalagem original)
- Diversos smartphones e notebooks usados nas operações de golpe
- Cartões e chips de celulares vinculados às contas fraudulentas
- Documentos e anotações com listas de vítimas e valores recebidos
A polícia informa que o grupo é investigado por praticar golpes digitais internacionais. Parte das vítimas está em outros países da América Latina — especialmente Argentina — e também em Portugal, onde os anúncios circulavam em grupos de brasileiros residentes no exterior. O prejuízo preliminar estimado já passa de R$ 2,8 milhões, com mais de 600 pessoas lesadas, segundo os números parciais apresentados pelos investigadores.
O modus operandi era sempre o mesmo: anúncios com fotos de produtos legítimos (celulares, fones, relógios, tênis de marca e até eletrônicos de alto valor) oferecidos com descontos de 60% a 80% do preço de mercado. Após o pagamento, a “loja” sumia ou passava a exigir taxas extras de “liberação na Receita Federal” ou “seguro de entrega”.
Os suspeitos mantinham um grupo no WhatsApp chamado “Operação: Quem não roda black, não vive as white”, onde discutiam metas diárias, divisão de lucros e estratégias para camuflar links de pagamento. Prints de conversas desse grupo foram anexados ao inquérito e revelam o nível de organização da quadrilha.
Operação: Quem não roda black...
você, GBZADA, Suspeito 01, Suspeito 02 +4Operação: Quem não roda black...
GBZADA, Adelvan Oliveira, Dr. Money +5📊 Fechamento do dia
HOJESegundo os documentos apreendidos, em um único dia o grupo chegou a registrar R$ 30 mil de faturamento e R$ 12 mil de lucro líquido. Os jovens de 16 e 17 anos, que operavam principalmente os anúncios e o atendimento inicial, teriam movimentado individualmente entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por dia, conforme relatos de coinvestigados e extratos encontrados nos aparelhos.
⚠️ Polícia pede informações
A Polícia Civil solicita a colaboração da população. Qualquer informação, por menor que seja, pode ser útil para localizar os investigados e aprofundar as apurações.
Pessoas sobre as quais a polícia busca informações:
- @gbzada
- Adelvan Oliveira
- Dr. Money
- Dollarisbest
Quem tiver prints de conversas, comprovantes de Pix, nomes de perfis, números de telefone ou qualquer outro dado relacionado a esses indivíduos ou ao grupo “Operação: Quem não roda black, não vive as white” pode entrar em contato com a delegacia responsável ou pelo disque-denúncia. O sigilo do denunciante será preservado.
Durante as buscas em Balneário Camboriú, os agentes localizaram um dos Porsches estacionado em uma residência de alto padrão. O segundo veículo foi encontrado em Curitiba. Os dois iPhone 18 Pro Max estavam em uma das residências de Aracaju, ainda lacrados, e teriam sido adquiridos com parte do dinheiro obtido nos golpes, segundo a polícia.
Os adultos presos devem responder por estelionato (art. 171 do Código Penal), associação criminosa e, em alguns casos, lavagem de dinheiro. A Justiça decretou o bloqueio de contas bancárias e a apreensão dos bens de luxo para eventual restituição às vítimas. Cerca de oito pessoas foram detidas na operação. GBZADA, Adelvan Oliveira, Dr. Money e Dollarisbest seguem sob investigação e ainda não foram localizados.
A operação continua em andamento. Novos mandados podem ser cumpridos nos próximos dias. A polícia reforça o alerta à população: desconfie de ofertas com preços muito abaixo do mercado em redes sociais, especialmente quando o pagamento é solicitado por Pix para pessoas físicas ou contas de recente abertura.
Esta reportagem será atualizada conforme novos detalhes oficiais forem liberados pela Polícia Civil.